Dentro do paganismo celta, um dos movimentos menos conhecidos, mas que vem se tornando cada vez mais difundido é o Sinnsreachd, do Gaélico Escocês, ‘Costume dos Ancestrais’. A seguir, uma tradução do site oficial do movimento Sinnsreachd, o An Cónaidhm na dTuath Gaelach, ou A Confederação Gaélica Tribal. Para ler o original, acesse: http://sinnsreachd.org/

 

 

 

 

Sinnsreachd

 

 

 

Publicado por An Cónaidhm na dTuath Gaelach

 

Tradução por Marcela Badolatto

 

 

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Sinnsreachd é um movimento cultural gaélico politeísta tribal e religioso. O Sinnsreachd fundamenta seu cerne cultural, social e doutrina religiosa sob os costumes e superstições existentes na Irlanda e Escócia rurais, combinado com encarnações modernas de sociedade, cultura e leis costumeiras baseadas naquelas que existiam na Irlanda e Escócia antes da chegada do Cristianismo. Enquanto observadores externos por vezes rotulam o Sinnsreachd como uma religião “neopagã”, seus praticantes acham este termo altamente ofensivo devido à associações com religiões sincréticas modernas como a Wicca, que são vistas como fés auto-indulgentes, o que é anátema à ideologia Sinnsreachd.

 

 

Sinnsreachd é uma palavra em Gàidhlig (gaélico escocês) que significa, no contexto, “Costumes dos Ancestrais”, apesar de Sinnsearachd ser um termo mais específico que também é usado. Partidários do Sinnsreachd referem à si próprios como Sinsearaí, Sinsearaithe no plural, usando a palavra em Gàidhlig para a crença e em Gaeilge para o seguidor da crença. O termo Sinsreach possui múltiplos significados dependendo do contexto, incluindo sucessão, ancestralidade, etc., mas neste contexto é usado para referir-se aos costumes dos ancestrais de alguém e implica que este alguém siga esses costumes.

 

Membros das crenças Sinnsreachd não aceitam os rótulos de “pagãos” ou “neopagãos”, preferindo que sua fé seja simplesmente chamada de Sinnsreachd ou Sinnsearachd. Eles descrevem o Sinnsreachd como uma religião cultural politeísta, referindo-se aos vários deuses Sinnsreachd e sua inseparável relação entre a cultura e as crenças religiosas que seguem. Enquanto eles acham o termo “bárbaro” aceitável em certas medidas, eles estão rapidamente percebendo que esse termo é mais acuradamente usado hoje para descrever religiões politeístas Gemânicas ou Nórdicas.

 

 

 

História

 

 

As origens históricas do Sinnsreachd são difíceis de definir devido a uma série de razões, não menos do que a falta inicial de organizações ou literatura. Diferente de religiões Germânicas similares como o Ásatrú, os praticantes do Sinnsreachd não se organizaram ou tornaram-se uma entidade pública até o começo de 1990, e, assim, há pouco para apontar as origens exatas da religião. Parece que o Sinsreachd desenvolve-se independentemente e através de linhas similares em vários lugares, incluindo Escócia, Estados Unidos e Austrália, a partir do final de 1970, progressivamente. Muito disso parece ter sido relacionado com ou inspirado pelos revivalistas religiosos Germânicos contemporâneos e pela espiritualidade semi-Celta que veio a tona naquela época, apesar do movimento Sinnsreachd não ser diretamente baseado neles, tampouco.

 

Sendo que o Sinnsreachd não tem sido uma religião historicamente centralizada, não há um único corpo organizado para o qual alguém possa se voltar para conseguir um entendimento de quando isso começou e por que. Praticantes declaram que seus Deuses os inspiraram a achar sua herança e fé, enquanto outros declaram que parece ter sido uma versão Gaélica temperada dos revivalistas Germânicos, ocorrendo na metade/fim do século XX.

 

 

 

 

Sociedade e Cultura

 

 

Sinnsreachd é uma religião que envolve elementos culturais seculares, embora seja, frequentemente, dita, ao invés, como uma cultura com elementos religiosos entrelaçados à ela. Em uma análise objetiva, parece ser uma divisão de, aproximadamente, 60% cultura, 40% religião. Não há um corpo central que fiscalize ou dite os costumes, cultura ou crenças religiosas do Sinnsreachd, mas os praticantes reconhecem uns aos outros baseados em sua aderência às doutrinas culturais e religiosas que estão nas mesmas linhas gerais.

 

Socialmente, o Sinnsreachd é uma fé tribal, agrupado em pequenos a médios grupos baseados em famílias no estilo tribal. O menor desses grupos é a ‘família’, chamada teaghlach, plural teaghlaigh, englobando uma família de pessoas vivendo sob um mesmo teto ou em uma família geral como uma fazenda. O próximo grupo maior é o grupo de ‘parentes’, ou fine, finte no plural (plural fineachan em Gàidhlig), que compreende todos em um grupo familiar particular ligados pelo sangue ou casamento de um ancestral comum. Diferentes variedades desses grupos de parentes existem, mas a versão mais comumente vista é o dearbhfine, dearbhfhinte no plural (plural dearbhfineachan em Gàidhlig), que são todas as pessoas que descendem de um ancestral comum acima de quatro gerações.

 

O maior grupo organizacional do Sinnsreachd é chamado tuath, tuatha no plural, ou clann, clanna no plural. A tuath tem sido, a grosso modo, equacionada para significar “tribo”, e é considerado assim um grupo com todos os membros da fé Sinnsreachd em um corpo coeso vivendo em uma área geográfica em comum. Poderia ser considerado o equivalente Sinnsreachd de uma diocese, mas alguns iriam discutir essa declaração.

 

A organização social destes corpos é compreendida de classes hierárquicas de pessoas, geralmente remetendo a castas. Essas castas são baseadas na ocupação e posição dentro da tribo. Exemplos de tais castas incluiriam artesãos, guerreiros, poeta, religiosos, preservadores da sabedoria, fazendeiros, etc. A liderança é designada à um chefe, chamado taoiseach ou ri, e uma forma de parlamento tribal montado com o “cabeça” de cada grupo parental, chamado ceann fine ou ceanna fine no plural (cinn fineachan em Gàidhlig).

 

 

Crenças Religiosas

 

 

A origem da teologia, cultura, misticismo e costumes do Sinnsreachd vem de uma diversidade de fontes, incluindo costumes e superstições familiares, tradições ainda encontradas em comunidades Gaélicas da Irlanda e Escócia, costumes e tradições registradas nesses países no século XIX e começo do século XX, assim como dos imigrantes falantes de Gaélico nas Américas e Austrália, leis costumeiras encontradas dentro das Fénechas (também conhecidas como Leis Brehon), e de histórias religiosas e sabedoria registradas em manuscritos do Leabhar na Núachongbála (O Livro de Leinster), Leabhar na nUidre (O Livro da Vaca Parda), Leabhar Baile na Mhota (O Livro de Ballymote), Leabhar Mor Mhic Fhir Bhisigh (O Grande Livro de Lecan), Leabhar Buidhe Lecain (O Livro Amarelo de Lecan) e o Leabhar Feirmoithe (O Livro de Fermoy).

 

Os membros do Sinnsreachd compilam esses elementos através de décadas de pesquisa e os compilam em uma fé coesa, modernizando e descristianizando as leis, tradições e histórias religiosas e costumes encontrados nos já mencionados manuscritos. O resultado final é uma interpretação moderna da cultura e crenças gaélicas da Idade do Ferro.

 

As bases da fé Sinnsreachd são universais, porém muitos dos detalhes menores podem diferir de organização para organização. Essas bases incluem a veneração dos Deuses Tuatha de Dannan, particularmente as deidades centrais Nuada, Lugh, an Mórríghan, Dana/Danu, Goibhniu, Manannan Mac Lír, Dian Cecht, an Dagda, Bríd (também conhecida como Brighid) e Bóann. Outros aspectos universais do Sinnsreachd são as celebrações dos quatro festivais do fogo – Samhain, Imbolc (ou Oímelc), Bealtaine e Lughnasadh – como festas e celebrações tribais, a aderência a um código de éticas e morais explicadas em vários poemas chamados Tríades, a crença em um pós-vida e reencarnação, veneração dos espíritos ancestrais e reconhecimento dos espíritos dos três reinos considerados sagrados pelo Sinnsreachd – Terra, Mar e Céu.

 

 

Políticas

 

Organizações Sinnsreachd possuem membros que transpõe todo o espectro político das nações em que estão localizados. A maioria dos participantes são membros dos já mencionados grupos tribais e praticam sua fé comumente. Eles são, no entanto, um número de auto-identificados ‘praticantes solitários’ que praticam sua religião sozinhos com suas famílias, muitas vezes devido à falta de um grupo tribal próximo. Apesar das diferenças entre crenças e políticas, o denominador comum entre os aderentes ao Sinnsreachd são os objetivos de reviver e praticar as bases da cultura e crenças dos Gaélicos pré-cristãos.

 

Praticantes de Sinnsreachd são geralmente tolerantes sobre muitos problemas, parecendo preferirem uma abordagem de ‘viva e deixe viver’, mas há a visão extremamente negativa sobre sexismo (contra qualquer gênero) e racismo. Praticantes de Sinnsreachd parecem não ter preconceitos de um caminho ou outro no qual estão inseridos aqueles que escolheram para lideres ou em posições baseadas no gênero. Do mesmo modo que muitas críticas foram feitas aos praticantes de Sinnsreachd como sendo obsessivos pela linhagem sanguínea, não há doutrina ou uma postura fixa sobre linhagem sanguínea ou mesmo sobre herança étnica. Ao contrário, eles declaram que a cultura importa mais que o sangue, e que qualquer um que siga sua cultura é uma parte disso, independente da etnia.