A Debilidade dos Homens do Ulster

Tradução: Marcela Badolatto

Lá, nas alturas e na solidão das colinas, vivia um rico senhor de gado do Ulster, Crunnchu Mac Agnoman era seu nome. Em sua solidão, grande riqueza acumulada por ele. Ele tinha quatro filhos ao seu redor. Sua esposa, a mãe de suas crianças, morrera. Por um longo tempo ele vivera sem uma esposa. Enquanto estava um dia sozinho na cama em sua casa, ele viu entrando na mansão uma jovem majestosa mulher, distinta em sua aparência, vestimenta e comportamento. Macha era o nome da mulher, como os sábios dizem. Ela passou o dia inteiro lá, sem trocar uma só palavra com qualquer um. Ela trouxe uma amassadeira e uma peneira e começou a preparar comida. Conforme o dia caminhou para o fim, ela pegou um vasilhame e ordenhou a vaca, ainda sem falar.

Quando ela retornou à casa, ela tomou seu direito, entrou em sua cozinha e deu as ordens aos seus empregados; então ela tomou um lugar perto de Crunnchu. Cada um foi para cama; ela permanesceu até o final e apagou o fogo, tomou seu direito novamente e deitou-se junto a ele, descançando sua mão ao lado dele. Por um longo tempo eles moraram junto. Através dessa união com ela, ele cresceu ainda mais em riqueza. Sua bela aparência era prazerosa a ela.

Os homens do Ulster frequentemente organizavam grandes assembléias e encontros. Todos, tantos quantos poderiam ir, ambos homens e mulheres, foram à reunião. “Eu, também”, disse Crunnchu, “como todos os outros, irei à assembléia.”

“Não vá,” disse a esposa, “para que não corras perigo ao falar de nós; pois nossa união irá apenas continuar se tu não falares de mim na assembléia.”

“Eu não pronunciarei uma palavra.”, disse Crunnchu.

Os homens do Ulster reuniram-se para o festival, Crunnchu também indo a esgeirar-se. Era um brilhante festival, não apenas em relação as pessoas, mas também aos cavalos e vestimentas. Lá ocorreram corridas e combates, torneios, jogos e procissões.

À nona hora a carruagem real foi levada à arena, e os cavalos do rei continuaram o dia em disputas. Então bardos aparecera para enaltecer o rei e a rainha, os poetas e os druidas, sua familia, as pessoas e toda a assembléia. As pessoas gritaram: “Nunca antes foram vistos dois cavalos no festival como estes dois cavalos do rei: em toda Irlanda não há par mais veloz!”

“Minha esposa corre mais rápido do que estes dois cavalos,” disse Crunnchu. “Segurem o homem,” disse o rei “e mantenham-no até sua esposa possa ser trazida à competição!”

Isto foi rapidamente feito, e mensageiros foram despachados pelo rei para a mulher. Ela recepcionou os mensageiros e perguntou-lhes o que os levará lá. “Nós viemos para que você liberte seu marido, mantido prisioneiro ao comando do rei, pois ele gabou-se de tu seres mais veloz nos pés do que os cavalos do rei.”

“Meu marido falou levianamente,” ela disse, “não foi digno ele tê-lo dito. Quanto a mim, estou enferma e a ponto de dar à luz uma criança.”

“Ai de ti por isso,” disseram os mensageiros, “pois seu marido será posto à morte se não vieres.”

“Então preciso ir” ela disse.

Imediatamente ela foi para a assembléia. Todos amontoaram-se para vê-la. “Não é honroso,” ela disse, “que eu deva ser vista nesta condição. Por que razão sou trazida para cá?”

“Para correr em competição contra os dois cavalos do rei.”, clamava a multidão.

“Ai de mim!” ela chorou, “pois está perto a minha hora.”

“Desembanhem suas espadas e levem aquele homem à morte.” disse o rei.

“Ajudem-me,” ela chorou aos espectadores, “pois uma mãe fez nascer cada um de vocês. Dê-me, Ó Rei, apenas um curto adiamento, até que eu esteja livre.”

“Não será assim.”, replicou o rei.

“Então vergonha sobre vocês que mostraram tão pouco respeito por mim,”, ela gritou. “pois vocês não tiveram piedade de mim, uma grávida. Infâmia cairá sobre vocês.”

“Qual é teu nome?”, perguntou o rei.

“Meu nome,” ela disse, “e o nome pelo qual devo parir, será para sempre o nome do local desta assembléia. Eu sou Macha, filha de Sainreth mac Imbaith (Estranho filho do Oceano). Traga os cavalos ao meu lado!” Assim foi feito e ela ultrapassou os cavalos e chegou antes no final do curso. Então ela soltou um grito de dor, mas Deus a ajudou, e ela pariu gêmeos, um filho e uma filha, antes dos cavalos alcançarem a chegada. Por isso o lugar é chamado “Emain Macha”, os “Gêmos de Macha”.

Todos que a ouviram gritar foram repentinamente tomados de fraqueza, de maneira que eles não tinham mais força que a mulher em sua dor. E ela disse, “Desta hora em diante a grande deshonra que vocês me inflingiram irá resultar em vergonha para cada um de vocês. Quando um tempo de opressão atingi-los, cada um de vocês que habita esta provincia será submetido a fraqueza, como a fraqueza de uma mulher no parto, e isso os afligirá por cinco dias e quatro noites; até a nona geração será assim.”

Assim foi. Continuou dos dias de Crunnchu aos dias de Fergus mac Donnell, ou até o tempo de Forc, filho de Dallan, filho de Mainech, filho de Lugaid. Três classes de pessoas haviam sob quem a debilidade não tinha poder, ou seja, as crianças e mulheres do Ulster, e Cu Chulainn, pois ele não era descendente do Ulster; ninguém, além disso, que estava fora da provincia era atingido por ela.

E esta é a causa do Noinden Ulad, ou a Debilidade dos Homens do Ulster.

A Debilidade dos Homens do Ulster

tradução: Marcela Badolatto

Lá, nas alturas e na solidão das colinas, vivia um rico senhor de gado do Ulster, Crunnchu Mac Agnoman era seu nome. Em sua solidão, grande riqueza acumulada por ele. Ele tinha quatro filhos ao seu redor. Sua esposa, a mãe de suas crianças, morrera. Por um longo tempo ele vivera sem uma esposa. Enquanto estava um dia sozinho na cama em sua casa, ele viu entrando na mansão uma jovem majestosa mulher, distinta em sua aparência, vestimenta e comportamento. Macha era o nome da mulher, como os sábios dizem. Ela passou o dia inteiro lá, sem trocar uma só palavra com qualquer um. Ela trouxe uma amassadeira e uma peneira e começou a preparar comida. Conforme o dia caminhou para o fim, ela pegou um vasilhame e ordenhou a vaca, ainda sem falar.

Quando ela retornou à casa, ela tomou seu direito, entrou em sua cozinha e deu as ordens aos seus empregados; então ela tomou um lugar perto de Crunnchu. Cada um foi para cama; ela permanesceu até o final e apagou o fogo, tomou seu direito novamente e deitou-se junto a ele, descançando sua mão ao lado dele. Por um longo tempo eles moraram junto. Através dessa união com ela, ele cresceu ainda mais em riqueza. Sua bela aparência era prazerosa a ela.

Os homens do Ulster frequentemente organizavam grandes assembléias e encontros. Todos, tantos quantos poderiam ir, ambos homens e mulheres, foram à reunião. “Eu, também”, disse Crunnchu, “como todos os outros, irei à assembléia.”

“Não vá,” disse a esposa, “para que não corras perigo ao falar de nós; pois nossa união irá apenas continuar se tu não falares de mim na assembléia.”

“Eu não pronunciarei uma palavra.”, disse Crunnchu.

Os homens do Ulster reuniram-se para o festival, Crunnchu também indo a esgeirar-se. Era um brilhante festival, não apenas em relação as pessoas, mas também aos cavalos e vestimentas. Lá ocorreram corridas e combates, torneios, jogos e procissões.

À nona hora a carruagem real foi levada à arena, e os cavalos do rei continuaram o dia em disputas. Então bardos aparecera para enaltecer o rei e a rainha, os poetas e os druidas, sua familia, as pessoas e toda a assembléia. As pessoas gritaram: “Nunca antes foram vistos dois cavalos no festival como estes dois cavalos do rei: em toda Irlanda não há par mais veloz!”

“Minha esposa corre mais rápido do que estes dois cavalos,” disse Crunnchu. “Segurem o homem,” disse o rei “e mantenham-no até sua esposa possa ser trazida à competição!”

Isto foi rapidamente feito, e mensageiros foram despachados pelo rei para a mulher. Ela recepcionou os mensageiros e perguntou-lhes o que os levará lá. “Nós viemos para que você liberte seu marido, mantido prisioneiro ao comando do rei, pois ele gabou-se de tu seres mais veloz nos pés do que os cavalos do rei.”

“Meu marido falou levianamente,” ela disse, “não foi digno ele tê-lo dito. Quanto a mim, estou enferma e a ponto de dar à luz uma criança.”

“Ai de ti por isso,” disseram os mensageiros, “pois seu marido será posto à morte se não vieres.”

“Então preciso ir” ela disse.

Imediatamente ela foi para a assembléia. Todos amontoaram-se para vê-la. “Não é honroso,” ela disse, “que eu deva ser vista nesta condição. Por que razão sou trazida para cá?”

“Para correr em competição contra os dois cavalos do rei.”, clamava a multidão.

“Ai de mim!” ela chorou, “pois está perto a minha hora.”

“Desembanhem suas espadas e levem aquele homem à morte.” disse o rei.

“Ajudem-me,” ela chorou aos espectadores, “pois uma mãe fez nascer cada um de vocês. Dê-me, Ó Rei, apenas um curto adiamento, até que eu esteja livre.”

“Não será assim.”, replicou o rei.

“Então vergonha sobre vocês que mostraram tão pouco respeito por mim,”, ela gritou. “pois vocês não tiveram piedade de mim, uma grávida. Infâmia cairá sobre vocês.”

“Qual é teu nome?”, perguntou o rei.

“Meu nome,” ela disse, “e o nome pelo qual devo parir, será para sempre o nome do local desta assembléia. Eu sou Macha, filha de Sainreth mac Imbaith (Estranho filho do Oceano). Traga os cavalos ao meu lado!” Assim foi feito e ela ultrapassou os cavalos e chegou antes no final do curso. Então ela soltou um grito de dor, mas Deus a ajudou, e ela pariu gêmeos, um filho e uma filha, antes dos cavalos alcançarem a chegada. Por isso o lugar é chamado “Emain Macha”, os “Gêmos de Macha”.

Todos que a ouviram gritar foram repentinamente tomados de fraqueza, de maneira que eles não tinham mais força que a mulher em sua dor. E ela disse, “Desta hora em diante a grande deshonra que vocês me inflingiram irá resultar em vergonha para cada um de vocês. Quando um tempo de opressão atingi-los, cada um de vocês que habita esta provincia será submetido a fraqueza, como a fraqueza de uma mulher no parto, e isso os afligirá por cinco dias e quatro noites; até a nona geração será assim.”

Assim foi. Continuou dos dias de Crunnchu aos dias de Fergus mac Donnell, ou até o tempo de Forc, filho de Dallan, filho de Mainech, filho de Lugaid. Três classes de pessoas haviam sob quem a debilidade não tinha poder, ou seja, as crianças e mulheres do Ulster, e Cu Chulainn, pois ele não era descendente do Ulster; ninguém, além disso, que estava fora da provincia era atingido por ela.

E esta é a causa do Noinden Ulad, ou a Debilidade dos Homens do Ulster.